quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tenho saudade

            Tenho saudades...
            Saudade. Ouso dizer que palavra mais brasileira não existe.
            Sinto saudades dos lugares por onde passei e das pessoas que conheci que hoje não conheço mais. Sinto saudade dos amores vividos que hoje não amo mais. Saudade.     Ah saudade!
            Saudade de uma infância que não era minha, mas vivi.
            Saudade da inocência de adolescente que não almejei, mas existiu.
            Saudade das repressões, das faltas, das abundâncias...
            Saudade, simplesmente saudade.
            Saudade é bom, nos faz lembrar. Lembro-me de coisas que até mesmo seria a outros impossível lembrar.
            Por vezes me peguei lembrando de fatos que não sei a causa, porém aconteceram.
            Tenho saudade de amigos que não são mais amigos... Saudade pelo muito que me acrescentaram na jornada que é a vida.
            Saudade de brinquedos que não eram meus, mas os tive.
            Saudade de televisão... Por muito tempo não tive em casa e desse período sinto saudade dela.
            Saudade dos empregos que não voltam mais, das pessoas que estavam lá, das experiências vividas.
            Sinto saudade, porque saudade me cai bem. Gosto da nostalgia que envolve essa palavra.
            Tenho saudade de tudo, mas não quero voltar lá e reviver não. Passo...   Obrigada!   
http://www.youtube.com/watch?v=PL8-EVS1G2A&feature=related  

Delicioso vicio


Como descobre que se esta completamente viciada por algo? Pois bem, para mim não é difícil perceber.
Depois de um dia cansativo, quando as pressões me sufocaram por mais uma vez, meu corpo pede sossego e um sono revigorante. Eu me deito e descubro que não conseguirei dormir, pois as palavras brotam. Viciei-me na escrita. Definitivamente sou dependente desses momentos de viagens sem fim, aonde sou quem quero e do jeito que quero.
Quem me lê pode perceber que trago comigo a necessidade de falar, falar sobre tudo, sobre qualquer coisa e às vezes nada. Sim falar é algo fundamental para mim.
Ando na necessidade de contar minhas desventuras cotidianas. Talvez porque dentro de mim bata uma certeza de que muitas pessoas se identificam com a vida simples que levo. Se você passar por mim, dirá: “Lá vai uma pessoa comum em um dia comum.”
Há quem fique triste com a simplicidade de minha vida. Eu sei que para muitos tem coisas mais bacanas pra fazer numa sexta cansativa, do que sentar ao computador e escrever...escrever...escrever. Desafio que me provem que essa também não é uma coisa boa a se fazer.
Quem tiver coragem que peite a divindade que é escrever. Às vezes me sinto uma deusa, tendo a capacidade de escrever tantas coisas, seja me criticando, criticando o sistema ou falando de algo fictício que mora dentro de mim. Oh, eu sei que isso é tolice. Se puder tire de mim então.
Hum... Sinto um tom arrogante nessas minhas palavras. Então entenda que sou uma pessoa simples que vive em um mundo fictício perfeito e quem sabe, se conseguir viajar nessa atmosfera de devaneios possa entender que se engrandecer é simples. É preciso ter uma auto-estima despretensiosamente arrogante.
Em tudo na vida tem que haver uma troca. Assim funciona com o íntimo. Eu acredito nele, mesmo sabendo que é bizarro e ele, em troca, me fornece essa arrogância simples.
E aí pode se perceber que escrever é realmente algo divino. Você fala e fica nisso. Algumas pessoas te param e dizem: “Aquilo que você escreveu não é legal.” Tranqüilo. Aceito as críticas, mas naquele momento o que eu precisava era apenas dizer e disse. Depois não fico triste, pois já estou vazia.
Passo. Chega. Se puder entenda, se não, reflita e se ainda assim for difícil use a imaginação, porque a escrita ninguém me tira.

Desnecessárias palavras


Eu me tornei só.
            Essa foi uma escolha. Sou solitária nas multidões. Juro que isso não é ruim...
            Acredito que na morte é assim mesmo que funciona. A multidão dos que choram, enquanto você está sozinho na transição.
            Gosto da solidão! A solidão ensina silenciosamente como é bom ser ouvinte. A solidão me ensinou como é bom ser coerente. Ela nos ensina a observar.
            Seria insano menosprezar o que está à minha volta. Porém mesmo com tudo isso, a solidão ainda é minha melhor companheira. Com ela as verdades são só minhas.
            Poesia seria desvendar os mistérios da solidão. Mas mistério é mistério e não precisa de explicações.
            Como não existe explicação para o meu mundo, o que rodeia vivo com a intensidade de cada dia. Sim, cada dia é completamente diferente do outro e se vive sem expectativas. Dirão: que loucura viver sem expectativas!
            Loucura é não se ter um estilo de vida bem resolvido e viver amargamente dias de vida não desejados.
            Eu criei expectativas minhas. Espero de mim o que desejo.
            Meu coração é romântico, quem disse que na solidão não tem poesia? Aqui vislumbro a delicia que é a vida. Hum, como é bom viver!
            Para as loucuras de minha mente por conta da solidão não devo explicação. Doente seria querer entender o mistério que reside dentro de mim.
            Vagando pelas ilusões da juventude almejei alguns degraus que a solidão me fez entender a falta de possibilidade.
            Na solidão sou mais eu. Amo-me mais. Desejo-me mais. Nela aprendi a conversar comigo e a entender meu lugar.
            Como não espero ser entendida, fico aqui nessa viagem desenfreada com a certeza do desnecessário dessas palavras.

Os velhos também amam


            Era outono. As folhas caíam sem pudor como os dias se vão em nossas vidas.
            Da janela do apartamento Filomena olhava com lágrimas nos olhos.
            Seu marido havia falecido e naquele dia estava fazendo um ano da despedida. Como doía olhar em volta e enxergar apenas o vazio que a falta dele lhe deixara. Mas a vida seguia, ela tinha que seguir.
            Aquele dia foi atordoante, por vezes aniversário de perdas são ainda mais marcantes do que a perda em si. Os anos por vezes nos dão a sensação de eternidade.
            Desde a morte de seu marido Filomena se voltara para a solidão, seus filhos já crescidos não podiam ter a dimensão de toda a sua dor. Uma dor que doía calada e solitária.
            E os dias, meses e anos se seguiram assim. Todo aniversário da despedida era uma dor incansável.
            Passados dez anos, Filomena ainda sentia a perda de seu amado. Mas a vida mudara. Ela havia se inscrito em um grupo da terceira idade. Seus dias corriam cheios de atividades e outras pessoas surgiram em sua vida.
            Naquele ano estavam todos envolvidos na festa de final do ano. Essa festa era considerada por todos maravilhosa e sempre era muito esperada. Filomena como todos, estava ansiosa. Aquela seria uma possibilidade de um fim de ano diferente.
Em casa enquanto se arrumava para sair, abriu o guarda roupa viu uma camisa de seu amado pendurada. Ela deixara lá para sempre lembrar sua existência. Uma lágrima correu e ela pensou que ele poderia estar com ela naquele momento. Logo se recompôs, acabou de se arrumar e foi para a festa.
            Chegando a festa Filomena logo começou a conversar com todos. Riam, brincavam, dançavam. Filomena não percebeu um olhar distante que tanto a observava. Em certo momento em que estava parada num canto do salão, um homem lhe convida para dançar, ela aceita. No meio da dança começam a conversar. Carlos era um senhor de setenta e cinco anos, alto, moreno e muito cheiroso. Filomena estremeceu pelo seu toque, as mãos de Carlos eram muito macias. Logo lhe vem à mente seu falecido marido. Ela desvia os pensamentos. Filomena não concebia amar outra pessoa, muito menos aos sessenta e nove anos. Com esses pensamentos deu a desculpa de que estava cansada e pediu para parar de dançar. Carlos imediatamente obedece e caminhou com ela até uma mesa que estava próxima.
            Sentados eles começaram a conversar e Filomena foi gostando demais daquele desconhecido. Carlos era gentil, doce e conversava muito bem. E assim ficaram o resto da festa. Quando Filomena resolve ir embora Carlos pergunta se pode acompanhá-la até em casa. Ela, por toda a gentileza dele, aceita.
            No caminho continuaram a conversar. ‘Como Carlos é agradável’, pensava ela.
            Chegando em casa ela se despede e Carlos lhe pede o telefone. Ela para por um momento, reflete e lhe diz:
            _ Carlos você é um homem muito agradável. Sei bem de suas intenções e me sinto até mesmo lisonjeada. Porém sou uma viúva de respeito. Tenho dois filhos que não gostariam nada disso. Fui muito apaixonada por meu marido e mesmo depois de dez anos ainda sinto sua falta. Não vejo onde outro homem poderia preencher esse espaço. Aos sessenta e nove anos acho bastante complicado que nossa relação possa dar certo. Espero que você possa me entender.
            Carlos franze a testa, mas continua com um olhar encantado por Filomena, respira fundo e diz:
            _ Respeito sua posição e jamais faria algo que pudesse te ofender ou até mesmo ir contra sua filosofia de vida. Mas se me permite, gostaria de lhe deixar uma reflexão.
            _ Claro. _ Diz Filomena ainda mais encantada por Carlos por conta de sua delicadeza.
            _ O que seria de nos se pudéssemos amar apenas uma vez? Sou velho e também tenho filhos, mas lhes ensinei que antes de ser seu pai, sou ainda indivíduo.       Ante sua resistência fica meu lamento, porém nunca a falta de esperança.     

Divisão


            Eu tenho sentido coisas estranhas.
            Queria muito somar...
            O que vejo, no entanto é uma má divisão. Eu que sempre foi a porta-bandeira da independência, hoje carrego o escudo da divisão.
            Nos relacionamentos é isso que acontece. Em qualquer tipo de relacionamento, às vezes carregamos o que não podemos carregar.
            Pena que fatos como esses são fardos insuportáveis, pelo menos para mim.
            Acostumada ao pouco, muitas das vezes a faltas que nem ouso contar, me sinto mal por fazer outros dividirem o pouco comigo.
            Ser um fardo nunca é legal. Quem disse que o amor não tem limites? Costumo dizer que até mesmo a sacanagem que é feita com alguém tem limites.
            Eu sou fadada a solidão mesmo em meio à multidão. Gosto do silêncio do nada. Acho-me na falta. Eternizo-me na falta.
            Talvez essas sejam barreiras que somente meu ego visualiza, mas sou boa ouvinte dele. O orgulho não pode ser duro demais, mas as várias nuances que podem se apresentar de forma suave por vezes ajuda muito.
            Eu não sou poeta, escrevo porque escrever me esvazia.
            Escrevo porque escrever acalenta.
            Prefiro falar de coisas difíceis. Coisas simples são para serem admiradas e isso eu já aprendi e não julgo difícil a qualquer um o mesmo.
            Gosto de falar dos apertos que me vem à alma e que por mais densos que sejam, todos em algum momento já experimentaram sensações parecidas.
            Podem parecer vagos meus sentimentos, mas são necessárias linhas pequenas para se falar do íntimo. Não se pode dar ao alheio o prato cheio de sua dor. Eu que em linhas tortas não tenho medo de, quem sabe, ser entendida, escrevo porque escrever me acalma.
            Nessas intrigantes vagações deixo uma proposta aos caçadores de patentes: inventem um jeito de vender paz em saquinhos bonitinhos e tenham a certeza de uma riqueza infinita. Quem nunca se viu querendo comprar paz em saquinhos pare essa leitura aqui. Podem se certificar de que sou a primeira a dar minha mão à palmatória por isso.
            Na alma trazemos duvidas cruéis. Nascemos assim, parece que Deus brinca de plantar enigmas na hora de moldar nosso corpo. Seria ele sádico? Talvez! Eu que na intensidade dos sofrimentos não vou ousar querer entender.
            E nesse vai e vem das brincadeiras de ciranda que é a vida, hoje ousei dizer que gosto dela. Perguntaram-me o que havia em meu pulso e eu disse “é tatuagem!” “o que está escrito?” Respondi: “Vida, com o símbolo do infinito em baixo.” Choquei com o questionamento a seguir: “Você é esotérica?” Ri por dentro e como se não pudesse acreditar no que meus lábios desobedientes disseram, falei: “Não. É vida, porque amo o desafio que ela é.” Aquela conversa foi realmente surreal. Pus-me a pensar. Eu só posso realmente amar a vida. Cada dia vivido é um dia perdido e eu nunca me canso de tentar.
            Essa manhã foi realmente estranha, mas sou teimosa e dela tirei valiosas reflexões que me levam a escrever nesse momento e que com certeza carrego eternamente.
            Quanto à divisão, entendo que talvez essa seja uma coisa que preciso aprender a admirar.     

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sou verdade


Quando olhei a minha volta, me vi sentada naquela mesa.
Comida estranha, pessoas desconexas... O vazio rondou minha alma. Percebi que, definitivamente, não pertencia aquele lugar.
Meu pai esboçou uma tentativa de dizer-me algo! Eu, sequer escutei.
Minha mãe, em sua ingênua sujeira, deixou-me por diversas vezes beirando a náusea. Não consegui erguer o garfo até a boca para comer a comida preparada por alguém que desconhece a assepsia das mãos.
O silencio das palavras inteiras mal ditas, me consumia por dentro. Vi-me numa ilha, rodeada por aquelas pessoas, que meu sangue não gritava por laços.
Descobri sem querer o vazio por dentro... Porém, eu, não senti pena de mim. Senti foi uma completa falta de necessidade daquilo tão convencional.
Parei ali instantes longos, minha vontade era partir o mais rápido para onde eu pudesse respirar ar respeitável.
Não conseguia me fixar, em nada, por inteiro. Por dentro eu era aquele distanciamento-perto.
Minha sobrinha corria pela casa, dizendo, com sua sabedoria infantil, coisas que eu gostaria muito de guardar eternamente, mas só conseguia me sentir só e por isso de nada me lembro. Esqueceria-me, até mesmo, de seu sorriso, se não fossem as lindas fotos que tive estomago para tirar-las.
Aquela soma de coisas vazias, aquele lugar que causou-me a pior nostalgia que sonhei um dia ter, aquelas pessoas que eu não reconhecia... E eu ali me sentindo longe, sem passado, sem razão...
Mirei o presente e não o encontrei. Mirei o futuro e me deparei, com a lastimosa sensação de que sem passado não se pode construir nada. Mas não me compadeci, queria apenas ar fresco que lá fora com certeza existia.
Procurei as mais idiotas desculpas para ir embora. Disse coisas que não consigo me lembrar, apenas precisava fugir, mais uma vez, daquele lugar.
Quando enfim consegui sair, entendi tudo... Os pássaros cantavam lindamente naquela tarde ensolarada e, vi-me livre da melhor forma que poderia estar... só!
Fiz os mais loucos tratos com a minha alma, briguei internamente com meu lado bom e me descobri má, ruim e seca. Mas percebi que nada disso faz de mim alguém pior.
Senti-me por inteira, humana! Podendo assumir que naquele quadro não cabia a minha pintura, tão complexa, para toda aquela obviedade.
Descansei na certeza de que, pelo menos, sou verdade.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Amor fraternal


            Como é bom falar com pessoas amadas.
            Existem pessoas que são eternas. Pessoas com quem dividimos momentos eternos. Conheço duas pessoas assim. Elas eternizaram sentimentos em mim.
            Posso passar até mesmo anos sem encontrá-las, telefonar, mandar um e-mail ou manter qualquer contato, quando nos encontramos parece que o tempo parou.
            Essas pessoas me trazem romance. Me lembram da inocência de tempos que não voltam mais. Gosto dessa nostalgia que envolve nossas relações.
            São pessoas com quem não preciso usar máscaras, pois não existem cobranças.           Essas criaturas foram programadas para me fazer sorrir. Sabem exatamente onde tocar para encantar.
            Não precisamos de regras para nos amar. Amigos? Não. Irmãos!
            Família que escolhi para me acompanhar e sei que fui escolhida por eles também.
            Por vezes me questionei se sou merecedora de uma família tão inteira como a que nossa relação nos permite. Nesse momento me lembro que o amor não exige nada, nem mesmo retribuição e então descanso no aconchego que é saber da existência dessas pessoas tão amadas.
            Eu teria muitas palavras para falar de nosso amor, de nossa família. Poderia ficar aqui desfiando o conto que daria um livro sobre nossa vida, existência e valor.
Mas prefiro guardar quietinha dentro de mim o calor da imensidão de sentimentos e valores que nossa união possui.
            Vocês que constroem comigo uma história encantadora, me eternizam em memória. Jamais saberei como agradecer.
            Se saber que sou devota de suas almas for o suficiente, fico aqui dia após dia rogando aos céus para que suas vidas sejam longas o bastante para que não haja saudades.
            Desmancho-me em agradecimentos, pois sei que merecem minha lealdade e a vocês eternamente dedico minha integridade.
            Sem saber como por fim ao tamanho da minha devoção digo apenas que os amo demais!