sábado, 26 de maio de 2012

Chega então

As vozes diriam para que a luta não parasse, mas o coração diz chega. No final do túnel existe uma luz que não quer ser dividida. A lucidez bateu em retirada. Ficaram as lágrimas que não param de escorrer. Existiria poesia, mas para poesia precisa companhia. uma caminhada solitaria é só o que existe. O amor não me escolheu e eu burra continuo tentando, como se isso me redimisse de ser quem sou. Qu...em sou? Pouco importa. Quem pode viver sem amor? Essa não seria eu. Um pausa. Nenhuma razão, mas muita vontade. Cheia de covardia a gente segue não dando ouvido as vozes e rastejando na dor que nos torna tão humanos. Eita poesia vazia, sem sentido e fodida. É a vida gritando por nosso sangue e continuamos crédulos diante de toda essa desgraça. Que seja, eu já nasci e já estou aqui tem um tempo, não existe volta.

sábado, 19 de maio de 2012

"Crise de identidade"


Às vezes a fonte seca. Posso assegurar que esse é um dos piores momentos daqueles que vivem de criar “coisas”. Mas acontece e muitas vezes ao longo de diversos processos criativos. Bate uma insegurança tão profunda que pensamos em todas as desgraças possíveis. Fazemos as mais tolas perguntas a nós mesmos. Por que esse momento tão escasso de boas inspirações? Será mesmo que sou uma pessoa criativa? Será que esse é realmente meu papel a ser desempenhado nessa vida? Isso acontece em geral com pessoas que vivem da criação em todos os âmbitos.

Porém isso também acontece na vida. Momento esse que vou denominar de “crise de identidade.” Quem, em algum momento da vida, não parou e se perguntou ‘Qual a minha real função nesse mundo?’ ‘Pra que existir se nada faz sentido?’ Todos, em algum momento, já se encontraram nesse estado de profunda reflexão sobre sua existência. E digo mais, ou melhor, aposto com qualquer um, esse é o pior momento de qualquer pessoa. É meio doído sentir que nada faz sentido, sentir que os dias estão passando e nada se torna palpável ou no mínimo razoável.

Eu pensei em mil possibilidades para expandir meu texto e deixá-lo interessante não dependendo de uma mensagem, digamos que, de alto ajuda. Pensei em falar sobre os adolescentes que nessa fase sempre entram em mil conflitos, seja para escolher seu futuro profissional ou até mesmo sua situação amorosa ou estética. Mas não, ainda sofro com essa constatação, porém quero mesmo deixar uma mensagem para as pessoas que se encontram nesse estado, quase beirando ao ‘se entregar e desistir’.

Eu me encontro em um momento desses, por dias e dias não tenho conseguido escrever nada. Ou melhor, escrevi sim, um texto de despedida, dizendo que não iria mais escrever. Disse aos meus amigos que desistiria disso, escrever me faz muito bem, mas estou nesse momento me considerando a pior escritora do mundo. Eu fiquei triste. Chorei. Me lamentei. Me envergonhei de todos os meus textos. Lamentei pelas pessoas que leram meus textos e por ai vai. Uma danada e sofrida “crise de identidade” de criação.      

Talvez esse processo ainda leve um tempo, to tranqüila para isso, especialmente porque esse período tem me ensinado uma lição valiosíssima e nesse momento quero dividir com todos que, por algum acaso, se interesse em ler minhas pobres palavras.

Nós não precisamos ser impecáveis sempre. Não precisamos estar certos numa constante sem tropeços. Por vezes, precisamos nos permitir ser humanos, perceber que erramos e isso faz parte do nosso processo evolutivo, que julgo tão importante. Acertar é legal, temos que lutar sim para que nossas atitudes possam refletir um futuro tranqüilo e correto, mas não podemos fazer disso uma luta incessante e desleal com nós mesmos. É preciso encontrar um equilibro entre o acertar e errar. Encontrar a formula para que possamos errar sem que isso nos prejudique, mas conscientes de que errar é normal dependendo da situação.

A cada dia o mundo tem nos cobrado mais acertos intensos e mirabolantes. A nova geração cresce em uma desenfreada busca pelo melhor lugar no mercado de trabalho e isso reflete no andamento da sociedade. Jovens mais solitários, ricos e por vezes infelizes. Amar, casar, ter filhos tem se tornado uma coisa obsoleta e sem valor. O mundo cobra, profissionais perfeitos e intocáveis. Verdadeiros robôs. A cobrança é tão grande que o índice de frustração tem se tornado cada vez maior, afinal ainda estamos no Brasil, um país subdesenvolvido. Nossa educação ainda é um grande dilema. Mas o mundo grita cada vez mais alto e forte ‘profissionais perfeitos. ’

Mesmo diante desse quadro da nossa atualidade eu ainda sou uma eterna sonhadora. Uma apaixonada e revolucionaria incansável. Eu ainda acredito em valores antigos que podem ser somados aos atuais, sem que isso gere conflitos.

Não, eu não quero me tornar uma máquina, que se movimenta de acordo com os padrões impostos pela sociedade. Cada pessoa é de uma forma, se movimenta ou se articula de acordo com suas possibilidades. Não existe padrão no mundo que determina o que torna uma pessoa melhor do que a outra. Nenhum dinheiro pode ser maior do que caráter, nenhum status social pode ser maior do que amor, nenhum diploma pode ser maior do que felicidade. A marcha para a desvalorização do individuo no coletivo tem que ser parada urgentemente, a concorrência desenfreada de robôs e não humanos tem que ser estagnada “ontem”. Vamos arquivar o processo de super valorização do ‘cada um por si e salve sem puder’.

Não estou aqui pregando que a educação é algo desnecessário ou sem importância alguma. Imagina! Eu mesma tenho me atualizado para não perder, de certa forma, essa evolução. Mas estou aqui dizendo que, enquanto nossa educação for esse jogo de interesse de políticos corruptos, que visam seus bolsos enquanto aceitam que o mercado de trabalho cobre cada vez mais e nossa educação publica caminha a passos lentos no caminho do desenvolvimento, teremos jovens frustrados e cansados em busca de algo que deveria ser um direito, como se isso fosse um favor, mas que nossos impostos pagam tão bem.

Eu preguei, prego e pregarei eternamente o valor de cada pessoa individualmente, que se ajustado, de forma correta no coletivo, tem muito mais importância do que sozinho.

Eu me encontro em uma difícil “crise de identidade” criativa, você pode estar em uma “crise de identidade” pessoal, existem varias formas dessa tal “crise de identidade”. Esse é aquele momento solitário que, na maioria das vezes, nada do que digam pode ajudar. Porém é importante pensar que independente de como, cada pessoa tem seu valor, que não pode ser subestimado jamais.

Seja qual for sua “crise de identidade”, saiba que ela passará, enquanto isso não acontece, aproveite esse momento para se conhecer melhor, se permita a esse momento de inércia existencial. Foque em crescer para si mesmo. Foque em ser para si mesmo. Sem se preocupar de forma desmedida com o que esperam de você. Cada um sabe muito bem qual escolha deve ser tomada e é sua própria consciência que dormirá com as conseqüências eternamente. Somente você pode julgar o que é realmente importante para si. Somente você pode saber o que quer para si mesmo. Somente você pode fazer acontecer aquilo que almeja tanto. Não pese na balança de suas escolhas e ações vontade e pensamentos alheios. Saiba que suas atitudes refletem como você será visto, mas não faça disso um peso para que a escolha não seja tomada para sua felicidade e somente sua felicidade. Use sua essência e sua razão a seu favor. Seja protagonista de sua própria história de vida.

 Mas lembre-se sempre, isso tudo em um equilíbrio para enxergar que, da mesma forma que você, existe outras pessoas, cada qual com sua medida certa de importância que torna cada um especial.

Bom, acho que misturei um poucos os assuntos... Mas então, isso prova meu mau momento criativo. Porém, acho que foi muito válido, especialmente para mim, esse momento em que dividi minhas “fraquezas” com todos.

O mundo cobra perfeição, mas eu não ligo de ser retrô.








domingo, 15 de abril de 2012

A fórmula do sofrimento não existe

Eu queria ter a fórmula que resolve todos os problemas, que sarasse todas as dores, que liquidasse o sofrimento. Eu queria que fosse uma fórmula simples. Não queria ela apenas em meu poder, porque com o tempo aprendemos a não desejar essas coisas a ninguém. Mas lamentavelmente não tenho. Imagina que nem os meus problemas, minhas dores e sofrimentos eu consigo solucionar. Mas eu aprendi que essas sensações são únicas e individuais, não existe o que digam ou façam, só você pode encarar isso e sozinho. O grande problema é que o sofrimento quando dói beira a dor física, sem dorflex que resolva. É ficar ali, numa atitude masoquista sentindo a dor e aprendendo com as chicotadas que ela nos dá. O bom é que eu já aprendi que não existe "tempestade que dure a vida toda" e que depois de todo o sofrimento, o gostoso é saber que a lição é valiosíssima, pois nos amadurece e muito. Quanto à fórmula... Acho mesmo que não existe fórmula, é só sentir e fazer disso um crescimento, já que é inevitável passar por esse processo.

Amo porque se não amar, não vivo


Eu falo do amor, como se o amor fosse me curar do mal de ser tão desgraçada assim. Eu andei fugindo de senti-lo, justamente porque sei o mal e o estrago que ele faz. De certa forma andei me esquivando do sofrer. É amar é uma delicia, mas o que ele causa é um estado do qual fujo incansavelmente. Mas por vezes estamos lá rendidos a uma loucura completamente lúcidos de seu trágico fim. Como somos bobos. Como sou boba. Eu tropeço na pedra e passando novamente pelo mesmo caminho, sabendo exatamente onde a pedra se encontra, faço questão de tropeçar novamente nela. Porém existe algo que me redime, todos de certo modo foram criados para isso, para serem assim. Todos foram criados para incansavelmente ter fé no amor. Se não fosse assim nada justificaria o amor de uma mãe, que mesmo quando seu filho está completamente errado ela o ama, o acolhe e apóia. A gente vive numa encruzilhada, essa que é a verdade, de um lado o amor, do outro a solidão, do outro os sonhos e do outro o nada. Sim cada um deles leva pra um lugar diferente do outro. Passamos a vida toda tentando junta-los para que possamos seguir com todos juntos. Queremos amar, mas de forma um pouco egoísta valorizando nossa solidão, sonhando loucamente e com nada se preocupando. Grande e verdadeira tolice. Os quatro tomam caminhos distintos e jamais se juntarão, é preciso deixar alguns pra trás e escolher apenas um caminho. É ai que justamente erramos, porque tentamos juntar todos. Mas fazer o que, esse é o quadro que bem nos define. Mas eu fujo disso. O máximo que posso, é claro. Mas fujo. É uma guerra árdua entre mim e o amor. Travamos batalhas intensas e intermináveis quando ele, de forma malandra, quer dominar meu coração. Dificilmente venço. Não que eu não seja forte. E sim porque eu gosto do gostinho do amor, mesmo sabendo que ele me fará sofrer. Ai alguém irá dizer “mas não é em todos os amores que sofremos não, uma hora você encontra alguém que não te fará sofrer.” Até pode ser. Mas as pessoas lamentavelmente se esquecem que o amor vem acompanhado de uma boa dose de sofrimento que acarreta no amadurecimento que nos faz aqueles velhos de cabeça branca, “chatamente” verdadeiros. A voz da experiência. E todos com medo de envelhecer, mas dizem que é bom. Então chego à conclusão que não sabemos amar, ou será que amar não é bom? Confuso. O certo mesmo é que o amor vem acompanhado de sofrimento. O bom é que passamos a vida amando, de varias formas, varias pessoas. Afinal o que seria de nós, se pudéssemos amar apenas uma vez? Seriamos objetos da vida. Vegetaríamos pelos cantos chorosos, porque é certo que não acertamos de primeira. O amor é uma constante e louca tentativa. Quem já não passou pela sensação do coração acelerando, um frio na barriga, dormir com um sorriso bobo no rosto com as lembranças de alguém amado, fez planos para o futuro com alguém por quem está apaixonado, isso tudo varias e varias vezes na vida? Acho que todos de alguma forma. Diante disso eu sei que não adianta fugir, amar é o clichê que nos acompanhará eternamente, de varias formas, mas acompanhará. É meio que a bandeira que hasteamos todos os dias com a frase “amo porque se não amar, não vivo.” Somos os grandes bobos da corte, amando a donzela virgem chamada “amor”, esperando por ela do lado de baixo da janela, brigando com o mundo por ela e a perdendo e encontrando constantemente. É a vida. Nós nascemos para amar, porque amar justifica o fato de existirmos, já que para nascermos precisou que nossos pais amassem. Amar é uma missão de sobrevivência e por isso o levamos tão a sério. Mas eu fujo. Ai de mim que fugirei e me encontrarei com o amor por diversas vezes na vida.  

sábado, 14 de abril de 2012

Vampirismo social


Era eu e aquela mesa. Aquela mesa e eu. Fiquei confusa tentando entender quem estava no caminho de quem. Era lamentável aquela situação. Uma mesa tão pesada que não me deixava saídas. Era ficar ali esperando o meu desfecho naquele imundo lugar. Já tinham se passado cinco dias que eu chegando em casa fui pega por homens encapuzados. Três grandes homens. Talvez nem fossem tão grandes assim, mas com minha franzina forma física aqueles homens pareciam gigantes. Tudo bem que eu era figura constantemente presente nas colunas sociais de importantes jornais, mas tudo aquilo não passava de aparência. Eu era uma fodida. Vivia de sugar as grandes e verdadeiras almas da elite social para conseguir alguma aparição. Eu vivia constantemente na tentativa de ascender socialmente. Eu era um lixo. Sendo assim, por que justamente eu seria seqüestrada? Coitados daqueles grandes homens, muito músculo e pouco cérebro. Dizem que quando se prepara um seqüestro a vitima é pesquisada. Procuram saber seus hábitos diários, seus bens materiais e a real possibilidade de um bom valor de resgate. Mas eu não tinha nada e nem ninguém. Eu era uma fodida que morava em um apartamento emprestado de Copacabana. Se aqueles homens queriam ganhar dinheiro com o meu resgate estavam na merda. Pior pra mim. Como iria sair dali? Não existia uma alma viva que poderia me socorrer. Na alta sociedade é assim, você aparece do lado das pessoas sorridente. Posa para as fotos como se fossem amigos íntimos. Tudo uma grande e tola mentira. Talvez nem soubessem quem eu era depois de cinco dias desaparecida. Quem sentiria falta de uma vampira social? Absolutamente ninguém. Eu gritei nas primeiras doze horas de reclusão. Fiz as mais idiotas negociações com alguém que eu nem sabia se de fato estava do outro lado daquele lugar imbecilmente montado para aquela ocasião. Um quadrado de mais ou menos nove metros quadrados, com uma privada tão suja quanto um bueiro e um colchonete jogado em um dos cantos. Ah já ia me esquecendo, a mesa, a maldita mesa que me prendia naquele momento em um dos cantos. Mais nada. Era eu e toda aquela bizarrice. Foi então que em um acesso de loucura eu tentei fugir. Subi na mesa e tentei passar pelo buraco que deixava entrar alguma luz naquele lugar. Em vão. Sequer consegui chegar até o buraco. Era alto demais. Cai e a mesa caiu por cima de mim extremamente pesada. Não sei se por conta da franqueza em que me encontrava ou realmente pelo peso daquela idiota mesa. Eu estava ali, presa em um dos cantos sem sequer poder me aproximar do prato, de uma comida nojenta, que era colocado por uma abertura no final da porta todos os dias. Definitivamente era meu fim. Busquei um ultimo fôlego que achei que tinha e soltei um grito de socorro. Ninguém atendeu. Depois de tanto esforço para tentar sair daquela situação acabei adormecendo. Não faço idéia de quantas horas dormi. Só sei que incrivelmente dormi sono pesado e até gostoso. Acordei já com a luz entrando pela fresta do único buraco que existia naquela sala. Foi nesse momento que me descobri confortavelmente deitada sobre o colchonete. Passei a mão nos olhos e devagar fui olhando ao redor. Lá estava a mesa no mesmo canto de sempre. Então cheguei à conclusão de que tudo não passou de um sonho doentio e louco. Já não me bastava à desgraça de ter sido seqüestrada sem motivo algum pra isso, ainda tinha que ficar sonhando com mais desgraça. Minha vida estava uma completa merda e eu ainda conseguia dormir sono pesado. O que fazer? Alguma vantagem eu tinha que tirar daquela situação. É eu era uma fodida que tentava a todo custo subir usando o brilho alheio experimentando o fardo de quem pertence à nata social.
  

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Jean Charles, Robson Terra e um lamentável luto


Olhando a história de Jean Charles, o brasileiro assassinado em Londres e o homem de quarenta profissões Robson Terra figura ilustre de Juiz de Fora, Minas Gerais, eu fico pensando em como a vida tem suas surpresas desagradáveis por vezes. Esses dois casos ficaram na minha cabeça. O primeiro por ter visto o filme que produziram contando a história e o segundo por ser uma pessoa da minha cidade e as redes sociais comentarem a respeito com seus alunos e amigos deixando mensagens de despedida. Não que a morte me assuste. Pelo contrário, acho a morte a coisa mais maravilhosa que todos teremos a oportunidade de desfrutar, sendo até mesmo um refúgio para nossa cansativa jornada em vida. O que me choca é que as duas histórias são distintas em si, mas duas histórias lindas que se ligam pelo seu desfecho, a morte súbita.
Jean era um menino de uma cidade pequena de Minas Gerais, Gonzaga, vivia de forma simples, mas tinha um sonho que é, acho eu, o da maioria das pessoas, o famoso “vencer na vida.” Ele saiu do Brasil no intuito de trabalhar em Londres e quem sabe assim conseguir estabelecer um padrão de vida mais confortável para sua família que ficara. Mas, pelo que li a respeito, ele mesmo não queria voltar. Londres era seu ‘Oasis em meio ai deserto’, seu começo e nunca seu fim, pelo menos em seus sonhos. Menino simpático, menino de sorriso fácil. Ajudava a todos que podia, tanto que levou e abrigou dois amigos e uma prima em seu apartamento. Dava as pessoas que queriam desbravar além fronteiras o que chamamos de “ponta pé inicial.” Além de casa que ele oferecia, dava também a ajuda no primeiro emprego. Como todo jovem também se envolvia em algumas confusões, que seu coração nobre sempre o fazia se arrepender logo. Um pouco antes de morrer havia se envolvido em um incidente com dois colegas do trabalho, isso provocou sua demissão. Ele passou um tempo aceitando o trabalho que surgia até que conseguiu um para trabalhar com o que realmente sabia fazer. Ele era eletricista. Em uma manhã turbulenta em Londres por conta de atentados terroristas nos metrôs, Jean sai de casa feliz porque tinha conseguido um emprego “decente.” Na primeira estação é barrado na entrada porque ela estava fechada. Corre o máximo que pode para outra. Quem vive em Londres ou já esteve lá sabe que é fornecido em todas as estações de metrô um jornal que as pessoas têm a oportunidade de ler durante o trajeto e onde descer coloca novamente na urna de jornal para que outras pessoas possam ler. Jean pegou um jornal antes de entrar no metrô, entrou e se sentou. De repente é surpreendido pela policia. Em tempos de ameaça terrorista todo cuidado é pouco para uma nação afetada de forma violenta pela covardia terrorista. Jean, acredito eu assustado, reage sem entender ou até mesmo cogitar que seu ato era a assinatura do seu atestado de óbito. Confundido com um terrorista é atingido pelas costas. Londres naquele momento se tornava seu começo e seu fim. Lamentável fim. Um sonho interrompido de forma brutal e dolorosa. Não só pela pouca idade dele, mas também por como aconteceu.
Até esse ponto você deve estar se perguntando o que uma história tem a ver com a outra. Pois eu digo.
Robson terra, 57 anos, nascera também em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Chácara, se consta no mapa nem sei. Cresceu em meio à simplicidade da vida daquela pequena cidade. Como ele mesmo dizia “eu descobri a criatividade como forma de sobrevivência.” Amado por seus alunos, amigos e parentes. Homem distinto da sociedade. Guerreiro. Vencedor. Não encontrou na pobreza uma limitação para fazer melhor e diferente. Ator nos palcos dos teatros, TV, praças, aldeias e onde mais fosse preciso. Defendia a arte como fator indispensável para uma boa vida. Protagonista de sua própria e nobre história de vida. Superou a si mesmo e seu possível destino, fazendo bonito em vida. Um homem homossexual como poucos que existem. O grão capaz de fazer diferença no meio de tantos grãos de areia que são os seres que habitam a “praia” chamada terra. Um verdadeiro, digno e maravilhoso exemplo. Acorda como em todos os outros dias. Homem agitado como só ele, sempre muito ocupado por seus afazeres, passa mal e é levado ao hospital. Uma tentativa foi feita para reanimá-lo após a parada cardíaca. Em vão. Dava-se assim o fim de uma brilhante história de vida. Luto absoluto nas redes sociais, destaque dos jornais locais. Juiz de Fora perdia um cidadão ilustre, os amigos um companheiro leal, os alunos um mestre sábio e dedicado, a vida um dos seus maiores guerreiros.
Jean Charles e Robson Terra ligados pela lamentável interrupção de suas vidas que ainda tinha muito para ofertar.
Essa é a vida brincando um jogo estranho, onde ganhamos por um longo período, mas quando ela ganha é fatal.
Você perde em algum momento para a vida e se rende de forma às vezes brutal e inesperada a morte. Essa é a maior certeza. A morte um dia dará ‘suas caras’ para todos. A morte é o preço da vitória da vida sobre nós.
Jean e Robson, duas vidas subitamente “perdedoras”, se rendendo a morte.
Os motivos importam para os que ficam lamentando e tristes. Para quem vai não faço idéia do que acontece, do lado de lá é um mistério profundo.
Nesse jogo louco que somos obrigados a jogar com a vida, acredito que é necessário degustar como se degusta um bom e caro vinho as vitórias diárias. Valorizar com intensidade cada respirar. É preciso ter sangue frio para vivenciar o gostinho de vitória diário, tendo a certeza que em algum momento perderemos.
Eu uma entusiasta da morte, sua admiradora e quase uma amiga peço apenas uma coisa quando chegar a minha hora de perder, PAZ.

*Que Jean e Robson sirvam de exemplo de como se deve viver com intensidade cada momento da vida e fazer sempre o seu melhor em tudo.   

terça-feira, 10 de abril de 2012

Viva a liberdade

"Democracia = ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual.”
O Wikipédia cita a democracia falando sobre política, mas é muito comum as pessoas usarem isso em outros meios. Porém eu categoricamente afirmo que as pessoas desconhecem o real teor da liberdade que existe na palavra D-E-M-O-C-R-A-C-I-A.
Me valendo novamente do bom uso que faço de me informar, o Wikipédia diz que liberdade de expressão significa:
“é o direito de manifestar livremente opiniões, idéias e pensamentos. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral.”
Mas constantemente vemos esse nosso direito sendo infligido pela maioria que a tudo tenta padronizar. Se você diz o que pensa e não condiz com um rotulo (que julgo imbecil) socialmente aceito, você é descriminado, excluído quando não ofendido.
Mas isso não fica só na questão de expressão, quando a pessoa não se permite corromper pelas idiotas regras sociais ela ainda vence essa barreira.
Porém encontramos outro ponto muito importante, a liberdade religiosa que é esclarecida da seguinte forma pelo Wikipédia:
“A liberdade de religião e de opinião é considerada por muitos como um direito humano fundamental. A liberdade de religião inclui ainda a liberdade de não seguir qualquer religião, ou mesmo de não ter opinião sobre a existência ou não de Deus (agnosticismo e ateísmo). A liberdade religiosa se o põe diante de todos suas idéias e principalmente seguimento do próprio ser humano.”
Mas nossa sociedade meramente preconceituosa desenvolveu em seu sistema um conceito basicamente assim ‘se você não acredita em deus é julgado como ruim.’ Abordo isso desta forma justamente por me considerar fora desses parâmetros religiosos e ser julgada muitas das vezes desta forma. Não foi um ou duas vezes que pessoas disseram que deus iria me castigar por não acreditar nele, chegando ao ponto de uma vez o comentário ser o seguinte “Que isso? É tão bom crer em um deus que faz o melhor por nós. Tome cuidado que isso pode ser cobrado de você.” Meu questionamento foi, como um deus que só quer o melhor pra você, que é tão bom pode te cobrar ou pesar sobre você, sendo que foi ele mesmo quem te deu a liberdade para escolher no que acreditar ou não? Eu não posso crer em um deus tão contraditório assim.
Mas meu argumento aqui fica sobre como as pessoas são mesquinhas e vazias quando algo vai contra o que ela acredita. Será que as pessoas não estão preparadas para viverem em comunidade e entender que existe não só diferenças físicas, mas também diferenças de pensamento? Ou será que as pessoas têm essa consciência e simplesmente não querem fazer bom uso dela, pois é mais fácil acreditar no que a maioria acredita e por isso quem vai contra é considerado um idiota? Sim eu afirmo que não é fácil quando se pensa diferente e ir atrás de criar respaldos para o que pensa e se informar. Realmente é mais fácil ter alguém pensando por nós e seguindo exatamente à cartilha de alguém que te diz que algo é verdade. Isso tudo é simples e fácil demais, porém é necessário que se prove qualquer coisa. Eu ainda me assusto quando vejo pessoas que acreditam em algo que não tem a menor comprovação ou que se julga melhor do que o outro por conta do seu tolo pensamento.
Em todo esse contexto é importante salientar que as pessoas têm respaldo da lei para pensarem e crerem no que quiserem.
“A Constituição Federal, no artigo 5º, VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. O inciso VII do artigo 5º estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”
Esse trecho da constituição afirma que não existe uma única religião a ser seguida, que a pessoa tem total liberdade para seguir o que ela quiser ou até mesmo não participar de nenhuma religião. Se a justiça não me pune por minhas escolhas quem são as pessoas que não tem vinculo algum com a justiça para me punir? Ninguém!
“Constituição brasileira de 1988
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: V - o pluralismo político
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e a propriedade, nos termos seguintes:
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença
Art. 220º A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”
Esse trecho da constituição afirma que sobre qualquer circunstancia a pessoa tem seu direito respaldado pela lei de se expressar. Lembrando que para expor seus pensamentos não é necessário ofender. Mas para me expor um pensamento e querer que eu faça uso dele, é necessário que me esclareça o porquê eu deveria usá-lo.
Eu faço bom uso da minha razão, tento usar ao máximo minha capacidade de pensamento e minha inteligência. Procuro me informar antes de me achar capaz de expor ou até mesmo convencer alguém de que o que penso é correto. Isso nunca foi e não é pecado ou um erro.
No facebook faço parte de uma comunidade chamada ATEIA – Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, vejo que lá se encontram muitos erros com relação a ofender outras religiões, deixo claro aqui que não concordo com esse tipo de postura, mas lá tenho abertura para expor esse fato, como deveria ser em qualquer comunidade.
Questionar e ter dúvidas não faz de mim uma tola revoltada sem causa, mas sim alguém que usa seu raciocínio a seu favor.
Vivemos em um país democrático, com diversidade étnica, com liberdade religiosa, com liberdade de expressão. Estamos em um caldeirão com uma grande mistura de tipos e pensamentos, acho que já passou da hora de vencermos a barreira do preconceito de um só pensamento, uma só verdade. Não existe padrão no que se trata ser humano. Existe caráter, que nada do que disse acima exime alguém de tê-lo e o desobriga a usar. Eu me informo sobre outras culturas e países, pois gosto de saber como funciona, mas isso não me da o direito de julgá-los como melhores ou piores do que o meu. Conheço uma senhora Libanesa que me ensinou uma coisa muito valiosa e usarei suas palavras agora “As pessoas inventaram que as mulheres mulçumanas são infelizes diante de como vivem, não conhecem de fato a nossa cultura, nem tudo lá é morte, guerra, devassidão ou até mesmo repressão. Eu sou feliz sendo mulçumana e seguindo a minha cultura na qual acredito.”
Temos que parar com a tola idéia de que apenas nosso “mundinho” é o valido ou o melhor, existe muitas coisas nesse mundo que podem ser mais interessante do que o que temos como importante ou fundamental. Já que nascemos ou vivemos em uma sociedade democrática devemos fazer valer isso sobre qualquer aspecto. Julgo moral como aquilo que fazemos sem ofender ou até mesmo desmoralizar alguém. Usemos nosso direito a democracia em demasia, pois é isso que nos faz de fato comunidade.
Para finalizar deixo aqui uma frase que sempre uso.
Aquele que se ofende com um questionamento carrega consigo “verdades” que não acredita ou não sabe como defender.